Alguns pais temem que falar com seus filhos em uma língua diferente a que é falada no país onde vivem e a que, provavelmente, serão escolarizados, pode atrasá-los na escola. No entanto, antes de ir para a escola a criança vai estar em muito mais contato do que se acredita com a nova língua, graças à televisão e aos novos amigos.

Uma vez que começam a ir à escola, chegam ao nível de seus colegas rapidamente. É então quando o problema para os pais se inverte. Como conseguir que não percam a sua primeira língua? Naturalmente, as crianças vão querer parecer mais com os seus companheiros de escola e se seus amigos falam, por exemplo, somente espanhol, eles também vão querer fazer o mesmo. Se os pais querem que os seus filhos conversem na língua materna da família, ao menos um dos pais, deve continuar a falando em casa, independente da resistência que possa encontrar na criança. Nos Estados Unidos, um país com grande experiência em acolher imigrantes, os números mostram que as famílias imigrantes perdem o seu idioma nativo na terceira geração.

Mas esta espécie de lei não escrita não tem que ser cumprida ao pé da letra, se uma família se esforça para manter as suas tradições culturais, entre elas a sua língua. No final, o conhecimento que as crianças têm da sua cultura de origem dependerá muito do entusiasmo e da motivação de seus pais em transmitir uma herança que não é somente o idioma, também a música, a comida e a filosofia de vida. O ideal é que a criança possa interpretar o fato de ser diferente de seus amigos como uma circunstância que enriquece e não como algo que se envergonhe.